Qual a relação entre picada de carrapato e alergia à carne vermelha?

Você já havia parado para pensar que pode existir uma relação entre picada de carrapato e alergia à carne vermelha? Se você nunca tinha associado uma coisa à outra, saiba que a relação entre a picada desses pequenos aracnídeos e o desenvolvimento de alergia à carne vermelha existe e já foi descrita nos Estados Unidos da América (EUA).

É por isso que preparamos o post de hoje: compreenda melhor essa questão e como o problema é manifestado. Acompanhe.

A picada de carrapato

O carrapato Amblyomma americanum é um dos grandes vilões do momento. Nativo do Texas, nos Estados Unidos, o aracnídeo já está se espalhando pelo resto do pais. Temos aqui no Brasil, principalmente na região sul, um carrapato da mesma família e com atuação semelhante, que chamamos de carrapato estrela.

A picada do Amblyomma americanum, em animais e pessoas, não causa nenhum tipo de dor. Por isso, ele pode ficar até uma semana grudado no corpo, sugando sangue, sem que seja notado.

Apesar de, muitas vezes, ser imperceptível, essa picada pode causar reações alérgicas à carne vermelha, como vamos explicar abaixo, além do risco de transmitir doenças, como a febre maculosa – que tem sido diagnosticada em muitas regiões do país.

Picada de carrapato x alergia à carne vermelha: compreenda melhor a relação

Susan Wolver e Diane Sun, cientistas da Universidade da Virgínia (EUA), lideradas pelo Prof. Thomas Platts-Mills, são as responsáveis por descobrir a relação entre a picada desse carrapato e o desenvolvimento de alergia à carne vermelha.

Por motivos que estão sendo compreendidos, a picada dessa espécie repassa para o corpo humano um carboidrato que naturalmente não produzimos, o que é capaz de reprogramar o nosso sistema imunológico, criando anticorpos contra um carboidrato chamado Alfa-Gal, presente na carne vermelha ou vísceras de mamíferos não primatas (bovinos, suínos, caprinos e outros).

Como consequência disso, caso o paciente que foi picada, infectado e sensibilizado ingira algumas dessas carnes (que tem alfa-gal), ocorre então a reação entre o anticorpo que foi produzido e o carboidrato então ingerido, ativando assim a liberação de histamina (substância química responsável pelas reações), podendo causar urticária, falta de ar, sintomas intestinais e até anafilaxia.

O inusitado é que, as reações alérgicas mais graves que conhecemos, são na sua maioria derivadas do contato/exposição com uma proteína, mas, nesse caso atípico, o grande responsável é o carboidrato (Alfa-gal).

Os sintomas podem não ser imediatos, e comumente se manifestam entre três e seis horas após o consumo da carne. Eles se assemelham a uma alergia alimentar comum, podendo desencadear coceira, inchaço, diarreia, vômito, urticária, problemas respiratórios ou mesmo uma reação mais grave (anafilaxia) e até um choque anafilático potencialmente fatal.

Em alguns casos, a alergia à carne vermelha pode desaparecer em poucos dias ou apenas em muitos anos. Em outras situações mais graves, pode ser que o paciente nunca mais possa ingerir esse tipo de alimento.

Apesar de ainda não ser um problema tão comum, os casos de Alpha-Gal Síndrome, nome dado a alergia à carne a partir da picada de carrapato, registraram um aumento de 300% de incidência nos últimos anos.

Temos escassos registros do problema no Brasil, e os relatos dessa doença já tem se espalhado em algumas regiões do mundo. De qualquer forma, em solo nacional, o carrapato tem transmitido a febre maculosa. Diante desses cenários, para evitar a picada, sugere-se não frequentar áreas com grama alta, usar calças longas e passar repelente contra insetos.

E então, ficou mais clara a relação entre picada de carrapato e alergia à carne? Ficou com alguma dúvida? Deixe sua mensagem nos comentários.

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